3 anos do crime ambiental de Mariana – “Quanto vale a vida de alguém?”

No dia 5 de novembro de 2015, Mariana e os mais de 600 km entre Minas Gerais e Espírito Santo receberam 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineradora Samarco, gerida pela Vale e pela BHP Biliton. Com a lama, também foram levadas 19 vidas humanas, incontáveis vidas animais, contaminação da Bacia do Rio Doce e uma destruição da mata nativa.

Por muito tempo foi desastre, rompimento, mas nunca crime. Mas como as famílias seguem a vida, depois de terem seus parentes assassinados? Como explicar a depressão dos agricultores e agricultoras que não têm mais terra para plantar? Como é ver a história da terra sendo levada pelo poder da negligência? A cultura de um povo pode ser soterrada pela lama do empresariado? Marina sofreu um crime ambiental e segue pela sombra da impunidade.

Segundo reportagem publicada pelo El País, em agosto de 2017, apenas 1% das indenizações haviam sido pagas pela Samarco, com pedidos de recursos para revisão dos valores. Sem uma reflexão profunda acerca crime, o país transforma o que é situação em episódio. Os distritos mais atingidos, Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, seguem na espera do início das obras de recuperação urbanística, programadas para o início deste ano, mas já adiadas e sem nova data estabelecida.

O processo de destruição não acabou, seguindo seu curso, agora, na saúde das pessoas que vivem na área atingida pela lama, de acordo com matéria publicada pela BBC em março deste ano. Dos 11 moradores de Barra Longa que fizeram exames toxicológicos em 2017, todos apresentaram aumento de níquel no sangue e 10, diminuição de zinco. Além disso, são recorrentes queixas de doenças respiratórias e de pele, que podem estar relacionadas ao pó de parte dos rejeitos, que secou e se espalha com o vento.

A continuidade dessa violência é a demonstração de que o poder das classes empresariais está em disputa com os direitos sociais e ambientais da população. É preciso resguardar a dignidade das pessoas e respeito ao meio ambiente, em um compromisso ético-político na luta contra as desigualdades que desumanizam e  distanciam o povo da terra. Mariana não foi e jamais será esquecida!

Ainda que este crime sofra tentativas de apagamento, as cicatrizes que se formaram nos moradores e moradoras e na natureza nos lembrarão que a impunidade é símbolo do cinismo político, do qual, quem defende a democracia e o povo, jamais fará parte.

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