Dr. Jean critica aumento da tarifa e defende ampliação do metrô até o Barreiro, em BH

A promessa de ampliação da linha até a região foi feita na inauguração do metrô, em 1986

Na manhã desta terça-feira, 30 de abril de 2019, a Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou uma audiência pública para debater a ampliação da linha do metrô até a região do Barreiro, em Belo Horizonte.

A autoria do requerimento é do deputado estadual Dr. Jean Freire, presidente da Comissão, que atendeu à demanda do Bloco Carnavalesco e Cultural Esperando o Metrô, criado há dois anos na região do Barreiro, na Capital, e que no último Carnaval reuniu mais de 15 mil foliões, unindo a crítica social e política à alegria da festa mais popular do País.

Segundo André Xavier, representante da agremiação e um dos convidados da audiência, o nome do bloco foi escolhido por votação, “uma sátira aos tantos anos de espera da população”. Ele recorda que a luta pela melhoria do transporte no Barreiro e na Cidade Industrial é antiga e remonta aos anos 1980.

Graças à mobilização, a população acumulou conquistas, como novas linhas de ônibus, coletivos mais limpos e modernos e vias asfaltadas. Na década de 1990, a luta prosseguiu e houve muitas promessas, ainda hoje não cumpridas. Lamentando que atualmente as tarifas de transporte em Belo Horizonte estejam entre as mais caras do Brasil, André Xavier condenou também o fato de os coletivos circularem nas ruas de BH sem trocador. Para ele, a ampliação do transporte sobre trilhos seria uma solução para as dificuldades enfrentadas pela população das regiões mais afastadas.

André Xavier criticou também “o descumprimento por parte das ferrovias com relação às suas obrigações contratuais” e conclamou todos os movimentos sociais a se integrarem à luta pela ampliação do metrô, aproveitando que a discussão volta à pauta com a renovação das concessões ferroviárias a empresas privadas, entre elas a Vale, responsável pelas tragédias de Mariana (Central) e de Brumadinho. Por isso mesmo, disse, a empresa deveria assumir um compromisso de reparação pelas perdas humanas e danos ambientais.

Para o coordenador da ONG Minas Trilho, Antônio Augusto Moreira de Faria, o atual momento é extremamente favorável para a defesa da causa. “Poucas vezes houve momento tão favorável como agora para a defesa dessa causa, em razão do crime de Brumadinho (Região Metropolitana de Belo Horizonte) e da renovação das concessões ferroviárias.” Segundo o presidente da ONG, a Capital mineira, que há 50 anos contava com 115 quilômetros de malha ferroviária, perdeu 82 quilômetros de trilhos. A cidade já foi a terceira maior em extensão de trens urbanos no País e hoje ocupa a décima-primeira colocação, lamentou Antônio Augusto.

“Temos a menor rede entre todas as grandes regiões metropolitanas do País, superada por Porto Alegre, Salvador, Brasília, Recife e Fortaleza. Nossa rede é inferior até às de Natal, João Pessoa e Maceió, regiões metropolitanas incomparavelmente menores do que a nossa”, lastimou.

Para o coordenador da ONG, o abandono dos trilhos faz parte de uma política de favorecimento ao transporte rodoviário, iniciada em 1927, com a criação do fundo rodoviário, totalmente revertido para a construção de rodovias, e reforçada a partir de 1964, com a ditadura, já que entre 1964 e 1985 foram eliminados 10 mil quilômetros de trilhos ferroviários em todo o País. A mesma política teria afetado também o transporte de cabotagem (aquaviário).

Sérgio Leôncio, secretário-geral do Sindicato dos Empregados em Transportes Metroviários e Conexos de MG (Sindimetro-MG), insistiu na necessidade de que a mineradora Vale, concessionária de trechos ferroviários em Minas, invista na recuperação da malha ferroviária para transporte de passageiros como compensação pelas perdas humanas e danos ambientais pelos quais responde. Ele e outros militantes presentes à reunião também criticaram o aumento da tarifa do metrô.

O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU-MG), Danilo Silva Batista, reafirmou a importância da mobilidade urbana. Segundo ele, o conselho está ampliando os debates desse tipo, em parcerias com a Prefeitura de Belo Horizonte e a Organização das Nações Unidas (ONU), pelo cumprimento das metas do milênio até 2030, entre os quais se incluem cidades inclusivas e sustentáveis.

Mobilidade urbana – Presidente da comissão, Dr. Jean Freire lembrou que o Carnaval de Belo Horizonte é hoje um dos mais importantes do País, mobilizando foliões em torno da crítica social. E parabenizou os integrantes do bloco “Esperando o Metrô” pela capacidade de mobilizar a população em torno de um tema fundamental como a mobilidade urbana. “Não adianta pensar em crescimento da cidade sem pensar em mobilidade urbana”, concluiu.

Dr. Jean falou também sobre a ausência dos representantes do poder público na audiência. Haviam sido convidados o Ministro de Infraestrutura, Tarcísio  Gomes de Freitas; o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil; o prefeito de Contagem, Alexis José Ferreira de Freitas; além do presidente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), José Marques de Lima. “Nós não vamos fazer nenhum tipo de julgamento, mas é muito frustrante que diversas pessoas que deveriam estar aqui para dar respostas à sociedade, não estão. Entretanto, nós prosseguiremos com a audiência”, disse.

O deputado ainda criticou o aumento da tarifa, tendo em vista que várias promessas feitas ainda na inauguração da linha não foram cumpridas. “Esse aumento é injusto se pensarmos na qualidade dos serviços prestados. Nós não podemos permitir que o ônus fique novamente com a população. A tarifa aumenta, mas não há a ampliação e o serviço não melhora”, finalizou.

Assessoria de Comunicação com informações da ALMG

Fotos: Clarissa Barçante

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