Dr. Jean visita estações Barreiro e Diamante para verificar ausência de cobradores nos ônibus da região metropolitana de BH

A grande maioria das linhas não contam com o profissional. Motoristas e passageiros relatam atraso nas viagens e risco de acidentes. 

Em visita às estações Barreiro e Diamante, em Belo Horizonte, realizada na manhã desta quinta-feira, 09 de maio de 2019, o deputado Dr. Jean Freire, presidente da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), constatou irregularidades na ausência de cobradores das linhas municipais. Dr. Jean, autor do requerimento que deu origem à visita, conversou com motoristas e passageiros para entender a questão, que tem chegado constantemente em forma de denúncia à comissão.

A maioria dos ônibus nos quais o parlamentar entrou estava sem cobradores. Motoristas e usuários do transporte coletivo confirmaram que tem ficado mais rara a presença desse profissional. O resultado é que o motorista acumula também a função do cobrador e, mais disperso, fica mais suscetível a acidentes. Além disso, os usuários reclamaram que as viagens demoram mais tempo.

A auxiliar de serviços gerais, Maria Andréia, moradora do Barreiro, relatou que suas viagens de ônibus têm demorado de 20 a 30 minutos a mais. “A gente tem que deixar a criança na escola, ir pro trabalho, ir estudar. Isso atrapalha a vida da gente toda”, disse. Ela relatou ainda que já presenciou, por diversas vezes, os ônibus saindo para fora das estradas por causa da desatenção dos motoristas.

Há 22 anos motorista de ônibus, Osmar Gonçalves contou que o pior problema é quando é precisa manusear o elevador para pessoas com deficiência. Nesses casos, é necessário deixar o ônibus ligado e sair do banco do motorista para ajudar o usuário. “Em morros, por exemplo, a gente fica com receio de confiar no freio de mão e o ônibus se movimentar”, disse ele.

O vendedor ambulante Rafael Rodrigo Moreira, que é cadeirante, falou sobre a dificuldade que pessoas com deficiência têm para usar o transporte público. “Com pressa para poder seguir a viagem, o motorista não esperou o elevador descer completamente, a minha cadeira escorregou e eu cheguei a me machucar”, contou. Rafael disse ainda que, na maioria das vezes, os profissionais não sabem manusear o equipamento.

Para fazer todos esses trabalhos, os condutores do veículo recebem, conforme foi informado ao deputado Doutor Jean Freire, um aumento percentual de 20%, que significa cerca de R$ 2 a mais por hora trabalhada. É também solicitado ao profissional que não atrase a viagem e isso é controlado a partir da chegada na estação – os atrasos podem ser descontados no salário.

Para Dr. Jean, é inadmissível que essa situação se prolongue. “Nós vamos atuar pela volta dos trocadores de ônibus, porque além de gerar mais empregos, garante mais segurança à viagem, aos motoristas, aos passageiros e aos pedestres também. Se um motorista não pode dirigir e falar ao celular ao mesmo tempo porque isso compromete sua atenção ao volante, ele também não deveria dirigir, cobrar passagem, dar informações, auxiliar com o elevador… Isso também tira a atenção do motorista e coloca em risco a vida de muita gente”, afirmou.

Categoria tem enfrentado derrotas nacionalmente

A Lei municipal 10.526, de 2012, determina que é necessária a presença de motoristas e cobradores no horário entre 6h e 20h, com exceção para ônibus troncais do BRT, que ligam as estações ao centro da Capital. Ou seja, a ausência dos cobradores é irregular e, segundo informação dada pela BHTrans ao deputado Doutor Jean Freire, uma única equipe do órgão fiscalizador tem aplicado cerca de 50 multas diárias, cada uma no valor de R$600, às empresas de ônibus.

O parlamentar disse que agora é preciso saber se essas multas estão sendo pagas. “A conta não fecha: se elas estivessem sendo pagas, não seria economicamente vantajoso ficar sem os cobradores”, disse. Ele também afirmou que é preciso estudar a possibilidade de ser criada uma legislação estadual para regular a questão em todo o Estado.

José Márcio Ferreira, do Sindicato dos Rodoviários, acompanhou a visita e disse que está pessimista. A categoria tem colecionado derrotas nacionalmente, disse ele, que citou decisões recentes do Superior Tribunal do Trabalho (TST), confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), favoráveis às empresas de transporte.

As decisões, conforme José Márcio, não só consideram regular a circulação sem cobradores como também dizem que não é obrigatório o pagamento de adicionais aos motoristas. O representante do sindicato disse que até o início de 2018 eram 6 mil cobradores em Minas Gerais e, segundo estimativa do sindicato, cerca de 80% já foram demitidos.

Metrô – Na volta para a Assembleia, Dr. Jean utilizou a linha 3050, que parte da Estação Diamante sentido à área hospitalar, em Belo Horizonte, e as reclamações continuaram. Alguns passageiros aproveitaram a oportunidade para pedir o apoio de Dr. Jean em relação à expansão do metrô de Belo Horizonte até o Barreiro e ao aumento da tarifa.

A pedido de Dr. Jean, a Comissão de Participação Popular realizou, no último dia 30 de abril, para falar sobre o assunto. Na ocasião, o deputado disse que é impossível pensar no desenvolvimento das cidades sem pensar em mobilidade e que o aumento da tarifa não é compatível com a qualidade do serviço prestado. Relembre AQUI!

Assessoria de Comunicação com informações da ALMG

Fotos: Ricardo Barbosa/ALMG

Um comentário sobre “Dr. Jean visita estações Barreiro e Diamante para verificar ausência de cobradores nos ônibus da região metropolitana de BH

  1. Gostaria de saber quais atitudes serão tomadas para resolver este problema de descaso total com a população em geral? O serviço te transporte existe para beneficiar a sociedade ou enriquecer mais e mais os empresários poderosos? Como o mercado vai absolver essa mão de obra em um país que tem mais de 10% da população economicamente ativa desempregada. Essa atitude descabida e desumana de acabar com os cobradores, afeta direta e indiretamente outros milhares de cidadãos e comerciantes que assim como eu dependiam desses profissionais para complementar a renda familiar.

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