Lugar de mulher é onde ela quiser – Mulheres que revolucionaram o esporte! 

Vôlei, ginástica, natação, maratona, boxe, judô, basquete, futebol…

Até pouco tempo atrás, essas e várias outras modalidades de esporte só eram disputadas por homens. Esporte, para a maioria das pessoas, “não era coisa de mulher”. Força, competitividade, agilidade, velocidade e outras qualidades físicas necessárias para as práticas esportivas eram inerentes apenas ao sexo masculino. A presença das mulheres não era permitida nem dentro dos campos, quadras, ringues e raias, nem nas arquibancadas. 

Felizmente, essa realidade tem sido transformada aos poucos. Apesar de ainda não terem o mesmo reconhecimento que os homens, terem os menores salários e patrocínios, as mulheres têm ocupado cada dia mais o esporte, servindo de inspiração para muitas outras mulheres e meninas.

Uma dessas mulheres é a jogadora de futebol Marta, eleita melhor jogadora de futebol do mundo por seis vezes, cinco delas consecutivas. 

15613322525d100a1c77019_1561332252_3x2_xlMarta –  Agência Reuters

Nascida em 1986, no município de Dois Riachos, Alagoas, Marta Vieira da Silva, a nossa camisa 10, teve uma infância humilde. Sua história no futebol começou em 1999, quando ingressou no Centro Esportivo Alagoano, o CSA. Um ano depois, aos 14 anos, Marta foi contratada pelo Vasco da Gama. 

Depois de 3 anos no time, Marta tornou-se jogadora do Umeå IK, da Suécia. Neste período, Marta tornou-se conhecida pela Europa. O destaque que obteve na época rendeu a ela seu primeiro título de melhor jogadora do mundo, eleita pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), em 2006. Ela conquistou o feito mais cinco vezes: em 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018. 

Ao longo de sua carreira, Marta passou por vários times de futebol, como o Los Angeles Sol, FC Gold Pride, Western New York Flash e o Orlando Pride, dos Estados Unidos; o FC Rosengård e o Tyresö FF, da Suécia., times com os quais conquistou vários títulos. 

Com a Seleção Brasileira, Marta conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003, e no Rio de Janeiro, em 2007, quando liderou a artilharia com 12 gols marcados. 

Ainda em 2007, a Seleção foi a vice-campeã da Copa do Mundo de Futebol Feminino, realizada na China. Um dos 7 gols marcados por Marta, justamente o que ajudou o Brasil a chegar à final pela primeira vez, foi eleito o mais bonito e Marta,além de artilheira, também foi eleita a melhor jogadora da competição, recebendo o prêmio Bola de Ouro. 

Em 2015, Marta tornou-se a maior artilheira da Seleção Brasileira, com 117 gols, ultrapassando o “Rei Pelé”, um dos maiores ícones do futebol brasileiro até então. Em 2019, na Copa do Mundo de Futebol Feminino da França, Marta tornou-se a maior artilheira da história da Copa do Mundo de futebol feminino, alcançando a marca de 17 gols. 

Além de embaixadora global da ONU Mulheres, Marta também é integrante da Go Equal, uma iniciativa que tem como objetivo promover a igualdade de gênero no esporte. 

Outro importante exemplo é o da ginasta Daiane dos Santos. Natural de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Daiane Garcia dos Santos nasceu em 1983 e, ainda menina, começou a dedicar-se à ginástica artística. Em 1999, Daiane conquistou suas primeiras medalhas – prata e bronze –  após competir nos jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, feito que ela quase repetiu ao conquistar novamente a medalha de bronze no Pan-Americano de Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003. 

daiane

Daiane dos Santos – Agência Reuters

Daiane já tinha disputado seu primeiro mundial e já estava muito mais experiente na modalidade. Após o Pan de Santo Domingo, ela disputou o Mundial de Anaheim, na Califórnia, e tornou-se a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro na disputa. Foi durante a final desta competição que Daiane executou pela primeira vez o movimento que leva hoje seu nome – o duplo twist carpado – atualmente conhecido como “Dos Santos”. 

Em 2004, Daiane conquistou duas medalhas durante as etapas da Copa do Mundo de Ginástica Artística, realizada no Reino Unido. Além disso, a ginasta também disputou, no mesmo ano, os Jogos Olímpicos de Atenas, onde apresentou seu segundo movimento, intitulado “Dos Santos II”. Mesmo não tendo conquistado nenhuma medalha, a apresentação de Daiane ganhou destaque no meio da ginástica artística pela irreverência e qualidade dos movimentos que ela criou e performou.

Após vários anos de dedicação, contusões e muitas conquistas para a ginástica artística brasileira, em 2012, logo depois de disputar as Olimpíadas de Londres,  Daiane parou de se dedicar de maneira exclusiva para a modalidade, mas não abandonou o esporte. Empresária atualmente, ela dedica-se a promoção de projetos voltados para atletas de alto desempenho e da cultura do esporte. 

Outro grande nome do esporte brasileiro é o de Maria Lenk, a primeira sul-americana a participar de uma Olimpíada. 

Maria Emma Hulga Lenk Zigler nasceu em São Paulo, em 1942, e começou a nadar muito cedo, após ter adquirido uma pneumonia e os pais terem visto o esporte como algo que faria bem à saúde da filha. Por incrível que pareça, suas primeiras braçadas foram no rio Tietê, quando o mesmo ainda não havia sido degradado pela poluição. 

marialenk

Maria Lenk – Foto: Sodré Satiro/Acervo Estadão

Entre 1932 a 1935, Maria Lenk venceu por 4 vezes consecutivas a Travessia de São Paulo a nado, uma das mais tradicionais provas de natação do início dos anos 1900. Aos 17 anos, ela já era uma atleta de nível internacional e foi a primeira mulher sul-americana a competir em Olimpíadas, nos jogos de Los Angeles, em 1932. Na época, Maria e os demais atletas da equipe brasileira custearam a viagem vendendo o café que levaram no porão do navio. 

Em 1936, durante os Jogos Olímpicos de Berlim, na Alemanha, ela introduziu o nado borboleta durante uma prova de peito. Três anos mais tarde, Maria se destacou após ter quebrado dois recordes mundiais nos 200 e 400 metros de peito. Ela foi a primeira e única brasileira a conquistar tal feito. 

Durante toda a sua carreira, Maria Lenk quebrou diversos recordes e recebeu diversos prêmios em reconhecimento à sua desenvoltura no esporte. Em 1942, após formar-se em Educação Física pela Universidade de Illinois, Maria ajudou a fundar a Escola Nacional de Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

Em 2000, aos 85 anos, Maria Lenk foi campeã em diversas modalidades no Campeonato Mundial, em Munique. Ao todo, foram 5 medalhas de ouro. Considerada a mãe da natação moderna, Maria é a única brasileira que está no Hall of Fame da Federação Internacional de Natação (FINA). 

O trio formado por Hortência, Paula e Janeth também deu muitas alegrias ao Brasil. Nos anos 1990, o desempenho das jogadoras no Basquete rendeu ao Brasil a medalha de ouro durante o Pan-Americano de Havana, em Cuba. 

Posada-660x501

Seleção Brasileira com Hortência, Paula e Janeth – Arquivo CBB

Hortência de Fátima Marcari nasceu em Potirendaba, São Paulo, 1959. Maior pontuadora da história da Seleção Brasileira de Basquete, em 2018, Hortência foi considerada pela Federação Internacional de Basquete (FIBA) uma das maiores atletas femininas do basquete e a melhor jogadora de copas do mundo de todos os tempos. Em 2002, ela entrou para o Hall da Fama do Basquete Feminino dos Estados Unidos e em 2005 para o Hall da Fama do Basquete. 

hortência

Hortência – Foto: Estadão

Maria Paula Gonçalves da Silva, mais conhecida como Magic Paula, nasceu em Osvaldo Cruz, São Paulo, em 1962, e começou a jogar com apenas 10 anos de idade. Seu destaque foi tamanho que em 1974, com apenas 12 anos, Paula foi convidada a integrar o time de basquete Assis Tênis Clube, na cidade de Assis, também em São Paulo.  Pouco tempo depois, com apenas 14 anos, Paula foi convocada pela primeira vez para jogar na Seleção Brasileira de Basquete. 

Após encerrar sua carreira como jogadora, Paula fundou o instituto Passe de Mágica, em Piracicaba, uma instituição que tem como missão contribuir para o desenvolvimento humano por meio da prática esportiva.  Paula é a segunda maior pontuadora da história da seleção brasileira adulta, tendo marcado 2.537 pontos em 150 partidas oficiais e em novembro de 2005, Magic Paula foi oficialmente confirmada para integrar o Hall da Fama do Basquete Feminino.

bas_magicpaula_1996_get

Paula – Reprodução

A outra estrela do trio, Janeth dos Santos Arcain, nasceu em Carapicuíba, também em São Paulo, em 1969. Terceira maior pontuadora da história da Seleção Brasileira de Basquete, Janeth também integra o Hall da Fama do Basquete desde 2014. 

janetgh

Janeth – Reprodução

Em 2013, a  jovem Rafaela Lopes Silva fez história ao se tornar a primeira mulher brasileira campeã mundial de judô. Rafaela nasceu no Rio de Janeiro, em 1992, cidade que a viu conquistar também a primeira medalha de ouro para o Brasil durante as olimpíadas de 2016. 

Nascida e crescida na Cidade de Deus, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro, Rafaela começou sua história no judô aos 7 anos de idade, quando os pais a inscreveram nas aulas do Instituto Reação. Logo, os técnicos do Instituto perceberam a aptidão que tinha para o esporte. 

Rafaela-slva-judoca_ef8a9920

Rafaela Silva –  Foto: Pedro Ramos/Rede do Esporte

Outra carioca que fez história no esporte brasileiro foi Aida dos Santos, a brasileira que, durante 32 anos, teve o melhor desempenho na história dos Jogos Olímpicos. Aida nasceu em 1937 e teve uma infância de muita pobreza e muito preconceito por ser negra e moradora de periferia. 

Começou a praticar atletismo no Ginásio Caio Martins quando ainda era adolescente e já em seu primeiro salto, Aida quase alcançou o recorde estadual da época, que era de 1,45 metros. Apesar de extremamente talentosa, Aida teve que enfrentar a resistência da família, que não queria que ela se tornasse uma atleta. Infelizmente, essa é a realidade de muitos jovens pobres em nosso país, que precisam abandonar seus sonhos para ajudar a família. 

0_f501dEkEIEbENi-4

Aida dos Santos – Getty Images

Apesar da falta de apoio da família e de dinheiro, Aida nunca desistiu daquilo que gostaria de fazer e a despeito de todos aqueles que não acreditavam nela – como seu próprio técnico, que disse que Aida não passaria da fase eliminatória, foi classificada para as Olimpíadas de Tóquio, em 1964. A única mulher da delegação brasileira em Tóquio, Aida não tinha nenhum tipo de apoio, como material esportivo ou a ajuda de um intérprete, enfrentando muitas dificuldades durante a competição. 

Apesar disso, Aida saltou 1,74 metros, feito que ficou pra sempre na memória do esporte olímpico brasileiro mesmo não tendo subido ao pódio. Seu feito foi recorde nacional por mais de três décadas. 

Apesar de todos os desafios que encontrou, sobretudo o racismo, Aida sempre viu no esporte uma oportunidade para vencer. Hoje, aos 83 anos, ela ainda é atleta e cuida do instituto que fundou para promover a inclusão social por meio do atletismo e do voleibol. Em 2006, Aída dos Santos recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, no Prêmio Brasil Olímpico, e em 2009 foi agraciada com o Diploma Mundial Mulher e Esporte, uma premiação especial do Comitê Olímpico Internacional. 

Outro grande nome do esporte brasileiro é o de Maria Esther Bueno. Natural de São Paulo, Maria Bueno, como é conhecida, nasceu em 1939, um período em que a participação das mulheres nos esportes era muito dificultada. Considerada o maior nome do tênis brasileiro, entre homens e mulheres, Esther foi eleita a melhor tenista do século XX da América Latina e, em 2012, foi incluída na 38ª posição entre os 100 melhores tenistas da história pelo canal Tennis Channel. 

estherbueno

Maria Esther Bueno – Foto: Getty Images

Ao longo de seus 20 anos de carreira, Esther Bueno colecionou 589 títulos internacionais. 

Que a luta das mulheres consigam abrir caminhos e oportunidades para que tantas outras Martas, Rafaelas, Aidas, Daianes, entre outras, possam conquistar tudo aquilo quanto desejarem, seja no esporte ou em qualquer outro lugar.

Assessoria de Comunicação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s