Lugar de mulher é onde ela quiser – Mulheres que revolucionaram a política!

Em tempos de retrocesso político e de um governo formado majoritariamente por homens, faz-se necessário rememorar a história daquelas que vieram antes de nós e enfrentaram com muita coragem o machismo e a desigualdade na política.

A primeira delas é Celina Guimarães Viana, a primeira eleitora do Brasil. Nascida em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 15 de novembro de 1890, Celina lecionou na Escola Normal de Mossoró. Com o advento da Lei nº 660, de 25 de novembro de 1927, o Rio Grande do Norte foi o primeiro estado que, ao regular o Serviço Eleitoral, estabeleceu que não haveria mais distinção do sexo para o exercício do voto. Assim, nesse mesmo dia, Celina deu entrada a uma petição, solicitando que ela fosse incluída no rol dos eleitores do município, que recebeu posicionamento favorável na época.  

Como forma de expandir o direito a todas as outras mulheres, Celina enviou um telegrama ao presidente do Senado Federal, para que todas as outras mulheres tivessem o mesmo direito, entrando para a história como pioneira do voto feminino. Faleceu no dia 11 de julho de 1972, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Outra mulher que fez história na política brasileira foi Luiza Alzira Teixeira de Vasconcelos, primeira prefeita brasileira. Luiza nasceu em 29 de abril de 1897 em Jardim de Angicos, na cidade de Lajes, interior do Rio Grande do Sul. Teve uma vida que não destoava dos padrões da época, para uma mulher da sua condição.

Em 1927, o governador José Augusto de Bezerra Medeiros, sancionou a lei estadual do Rio Grande do Norte, lei n ° 660, de 25 de outubro de 1927, que garantia às mulheres o direito de votar e serem votadas. Em setembro de 1928, aconteceriam as primeiras eleições municipais, e aos 32 anos de idade, Alzira se candidatou a prefeita pelo Partido Republicano e venceu com 60% dos votos.

Foi a primeira mulher da América Latina a assumir o governo de uma cidade, segundo notícia publicada na época pelo jornal “The New York Times”. Alzira exerceu o cargo por apenas um ano. Em 1930, descontente com a eleição de Getúlio Vargas, ela deixou a função. Apenas dois anos depois, em 1932, as mulheres conquistaram o direito de votar. Em 1947, voltou a exercer um mandato de vereadora do município de Jardim de Angicos, cargo para o qual foi eleita três vezes. Ela faleceu aos 66 anos, em 1963.

Carlota Pereira de Queirós também marcou a história política brasileira Natural de São Paulo, nasceu em 13 de fevereiro de 1892. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em 1926. Foi chefe do Laboratório de Clínica Pediátrica, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1928.

Ingressando na política, foi a primeira deputada federal da história do Brasil. Eleita pelo estado de São Paulo em 1934, fez a voz feminina ser ouvida no Congresso Nacional. Seu mandato foi em defesa da mulher e das crianças, trabalhava por melhorias educacionais que contemplam melhor tratamento das mulheres. Além disso, publicou uma série de trabalhos em defesa da mulher brasileira. Ocupou seu cargo até 1937, quando o congresso foi fechado pelo então presidente Getúlio Vargas. Em 1950, fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas. Faleceu aos 90 anos, em São Paulo, no ano de 1982.

A primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina, Antonieta de Barros nasceu em 11 de julho de 1901, em Florianópolis. Desde os seus primeiros estudos já lecionava para o Magistério e em 1921 concluiu o Curso Normal na Escola Normal Catarinense. Ainda neste ano, fundou o Curso Antonieta de Barros, voltado para alfabetização da população carente, que funcionou até 1952. No ano de 1922, fundou o Jornal A Semana, que circulou até 1927. Seus artigos, crônicas e poesias eram assinados com o pseudônimo de “Maria da Ilha”. De 1944 a 1951, foi diretora do atual Instituto de Educação. 

Sua mãe, Catarina de Barros, que algumas fontes dizem ter sido ex-escravizada liberta, enquanto outras dizem que foi lavadeira, trabalhou na casa do político Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos, que viria a ser vice-presidente do Senado e chegou a assumir por dois meses a Presidência da República. Por intermédio dos Ramos, Antonieta entrou na política e foi eleita para a Assembleia Catarinense em 1934,  tornando-se a primeira deputada estadual negra do país e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina. Antonieta foi responsável por redigir os capítulos sobre educação, cultura e funcionalismo da nova Constituição do Estado. Eleita pelo Partido Liberal Catarinense, foi constituinte em 1935. Atuou na Assembléia Legislativa Catarinense até 1937, quando teve início a ditadura do Estado Novo.

Com o fim do regime ditatorial, candidatou-se pelo Partido Social Democrático e foi eleita novamente em 1947, desta vez como suplente. Antonieta continuou lutando no campo da educação, exigindo concurso para o provimento dos cargos do magistério, sugerindo formas de escolhas de diretores e defendendo a concessão de bolsas para cursos superiores a alunos de baixa renda. Ao longo de sua vida, atuou como professora, jornalista e escritora. Publicou em 1937, “Farrapos de Idéias”, livro que assinou com seu pseudônimo. Faleceu no dia 18 de março de 1952.

Sua história é contada no curta “Antonieta”, dirigido por Flávia Person. Assista aqui.

Eunice Mafalda Berger Michiles, a primeira senadora brasileira, nasceu na cidade de São Paulo, no dia 10 de julho de 1929. Filha de Teófilo Berger e Edith Berger, adotou novo sobrenome ao casar com Darci Augusto Michiles. Após seu casamento, mudou-se para Maués, no Amazonas, onde sua experiência em educação a fez lecionar e ocupar cargos de direção no Grupo Escolar Santina Filizola, no Ginásio de Maués, na Escola Normal e no Serviço Municipal de Educação.

Em 1978, foi eleita suplente do senador João Bosco Lima. No ano seguinte, com a morte do senador,  assumiu a cadeira definitivamente. A única mulher a ocupar uma vaga no Senado antes de Eunice foi a Princesa Isabel, que possuía vaga por direito dinástico durante o Império.

Durante os trabalhos de elaboração da Constituição, integrou o Centrão, grupamento suprapartidário de parlamentares conservadores que atuou na Constituinte. Votou a favor da proteção ao emprego contra a demissão sem justa causa, da jornada semanal de 40 horas, do presidencialismo e do direito de greve.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, Eunice reclamou da discriminação que sofria na casa: “Meu papel no Senado era ficar quietinha, me comportar como uma dama”. Lembrando que  o plenário do Senado passou a ter um banheiro para as senadoras em 2016, mais de 55 anos depois da inauguração do prédio.

Nascida em Salvador em 1923, Laélia de Alcântara foi a primeira senador negra na história política do Brasil. Deixou a sua cidade natal em 1943, transferindo-se para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde cursou a Faculdade de Ciências Médicas, diplomando-se em 1949. Seis meses após a formatura foi trabalhar no Acre, que na época contava com apenas seis médicos.

Em março de 1981, dado o afastamento de Adalberto Sena por motivos de saúde, Laélia Alcântara tornou-se a segunda mulher a exercer mandato de senadora. Representando o estado do Acre pelo PMDB, em sua passagem pelo Congresso Nacional, posicionava-se contra o racismo. Também apresentou emendas permitindo o ingresso de mulheres na Força Aérea Brasileira.

Laélia Alcântara foi tesoureira e presidente do Conselho Regional de Medicina, no Acre, e membro do Conselho Federal de Medicina. Faleceu no dia 31 de agosto de 2005, no Rio de Janeiro, com falência múltipla dos órgãos.

A primeira governadora brasileira foi Iolanda de Lima Reis Fleming. Natural de Vila Castelo, no Acre, nasceu em 1936. De família muito humilde, Iolanda começou a trabalhar muito cedo, principalmente em atividades rurais. Estudou no colégio de freiras Madre Santa Juliana, em Sena Madureira, município vizinho, onde, em troca do ensino das primeiras letras, realizava tarefas domésticas.

Sua carreira política teria começado aos 12 anos, quando animava os comícios do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), cantando ao lado de outras crianças músicas de campanha nos palanques de políticos locais.  Em 1978, foi eleita deputada estadual e, em 1982, foi eleita vice-governadora do Acre na chapa de Nabor Júnior, vindo a assumir o governo com a ida do titular para disputar o Senado Federal em 1986.

A vereadora Marielle Franco também se tornou um ícone da luta feminista e da participação das mulheres na política. Marielle Francisco da Silva, ou Marielle Franco, como era conhecida, nasceu em 1979, no Rio de Janeiro. De origem humilde, Marielle sempre viveu na comunidade da Maré.

Militante em defesa dos direitos humanos, formou-se em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em 2002. Formou-se, também, em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense. Também militava em defesa da comunidade LGBT.

Em 2016, foi eleita vereadora na capital fluminense pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em sua primeira disputa eleitoral. Obteve mais de 46 mil votos, sendo a quinta vereadora mais votada no município. Com mais de 46 mil votos, foi a quinta candidata mais votada no município e a segunda mulher mais votada ao cargo de vereadora em todo o país. Na Câmara Municipal, presidiu a Comissão de Defesa da Mulher e integrou uma comissão cujo objetivo era monitorar a intervenção federal no Rio de Janeiro, sendo escolhida como sua relatora em 28 de fevereiro de 2018. Era crítica ferrenha da intervenção federal no Rio e Janeiro e denunciava constantemente os abusos policiais e as violações aos direitos humanos no município e no estado.

Na noite de 14 de março de 2018, Marielle Franco foi executada com três tiros na cabeça e um no pescoço, junto com seu motorista, Anderson Pedro Mathias Gomes, que também foi morto.  O caso ganhou repercussão internacional e motivou a realização de diversos protestos ao redor do mundo.  

Em julho de 2018, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro aprovou a Lei 8054/2018 que consolidou 14 de março ao Calendário Oficial do Estado do Rio de Janeiro como o “Dia Marielle Franco – Dia de Luta contra o genocídio da Mulher Negra“. Em 2019, Marielle foi agraciada, in memoriam, pelo Congresso Nacional do Brasil, com o Diploma Bertha Lutz, concedidos a mulheres que tenham oferecido relevante contribuição na defesa dos direitos da mulher e questões do gênero no Brasil. Seu assassinato ainda segue sob investigação. 

Por último, mas não menos importante, falamos sobre a história de uma das principais figuras da política brasileira, Dilma Vana Rousseff, primeira presidenta do Brasil. 

Natural de Belo Horizonte, Dilma nasceu em 1947. Iniciou sua atuação política ainda no período em que cursava o antigo colegial, nos primeiros anos da ditadura militar inaugurada em 1964. Guerrilheira durante a ditadura militar, ela foi presa e torturada. Após a anistia, foi secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, nos governos Alceu Colares (PDT) e Olívio Dutra (PT). No governo Lula, ocupou a pasta de Minas e Energia e a chefia da Casa Civil. Escolhida pelo ex-presidente Lula como candidata do PT, elegeu-se presidente em 2010 e foi reeleita em 2014.

O machismo, que faz questão de nos dizer todos os dias que política não é espaço para mulheres. Em 2016, Dilma foi destituída de seu cargo de presidenta, acusada de crime de responsabilidade fiscal. Pouco tempo depois, ficou comprovado que o crime não ocorreu. 

Dia 8 de março é considerado, mundialmente, o dia internacional da mulher! Nós sabemos que a data deveria ser lembrada todos os dias, mas não é isso que acontece… Na verdade, foram necessários muitos anos para que as mulheres finalmente começassem a conquistar seus lugares. Principalmente as mulheres na ciência!

Assessoria de Comunicação

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