O impacto da pandemia na vida das mulheres

O machismo, fruto de uma sociedade pautada no patriarcado, sempre impactou de forma muito significativa a vida de todas as mulheres. São elas que estão mais expostas à violência doméstica, acumulam muitas funções, como o trabalho fora e dentro de casa, e ainda recebem salários cerca de 20% menores que os dos homens em todas as ocupações, como aponta um estudo do IBGE,  divulgado em 2018. 

Entretanto, a pandemia da covid-19 e as medidas de isolamento apenas trouxeram à tona alguns aspectos dessa desigualdade, que ainda são ignorados pela maioria das pessoas e mantém a estrutura social que privilegia homens em detrimento das mulheres. 

De acordo o Relatório O Trabalho e a vida das Mulheres na Pandemia, realizado pela Gênero e Número e pela Sempreviva Organização Feminista (SOF), 50% das mulheres brasileiras passaram a cuidar de alguém durante a pandemia. A maior parte delas – 52% – são negras. Este dado não é novo e a pandemia só o acentuou. A organização do cuidado sempre foi pautada na exploração do trabalho das mulheres, sobretudo das mulheres negras, mas esta é uma realidade que precisa urgentemente ser modificada. 

Quando o assunto é desemprego, o quadro não tem melhores indicadores. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE, cerca de 7 milhões de mulheres deixaram seus postos de trabalho no início da pandemia – uma diferença de 2 milhões em relação ao número de homens na mesma situação. E este número, infelizmente, só aumentou. O último dado da PNAD afirma que, até o terceiro trimestre de 2020, 8,5 milhões de mulheres tinham deixado a força de trabalho. 

A violência doméstica, infelizmente, uma realidade na vida de muitas mulheres brasileiras, também ganhou outras proporções no período de isolamento. O Relatório O Trabalho e a Vida das Mulheres na Pandemia aponta que 8,4% das mulheres sofreram algum tipo de violência durante o período de isolamento social. 

Essa situação já vinha sendo alertada por diversas organizações, inclusive pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde o início da pandemia, tendo em vista que, o isolamento faria com que as mulheres passassem mais tempo dentro de casa, onde a violência ocorre com maior frequência. De acordo com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, no ano passado, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – Ligue 180, e o Disque Direitos Humanos – Disque 100, registraram 105.821 denúncias de violência contra a mulher. Esse número representa cerca de 30% de todas as denúncias realizadas nas duas plataformas em 2020.

Os casos de feminicídio no Brasil também tiveram um aumento de 22% no início da pandemia em diversos estados brasileiros, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Entretanto, estes dados são de abril do ano passado e podem apresentar uma série de inconsistências, como aponta a Rede de Observatórios da Segurança, em uma matéria divulgada pela Revista Piauí, no último dia 8 de março. Isso, como explicado na referida matéria, pode levar à adoção de políticas públicas ineficazes, “já que estatísticas corretas são fundamentais para a tomada de decisão na gestão pública”. 

Ei,  mulher! Você não está sozinha! 

Se você é vítima de algum tipo de violência ou conhece alguma mulher que passa por essa situação, busque ajuda e denuncie. Disque 180 ou procure os órgãos de atendimento! 

Há outras iniciativas que também podem contribuir neste processo de acolhimento das vítimas e são, também, um espaço de participação social que visa propor e decidir sobre as políticas públicas para as mulheres.

Em nossa cartilha Se tem violência contra a mulher, a gente mete a colher, listamos uma série de organizações que atuam na promoção dos direitos e no atendimento à mulher vítima de violência. Você não está sozinha! 

Baixe AQUI! 

Além da sobrecarga de trabalho, da responsabilidade de cuidar de outras pessoas, do desemprego e da violência, durante este período, as mulheres também são as mais vulneráveis quando o assunto é saúde mental. De acordo com o estão sofrendo também com o estudo exploratório sobre o impacto psicológico de covid-19 na população brasileira em geral, da revista científica Plos One, 40,5% das mulheres tiveram sintomas de depressão, 34,9% apresentaram sintomas de ansiedade e 37,3% apontaram sintomas de estresse.

Neste cenário, é importante dialogarmos sobre o que tem sido feito, em termos de políticas públicas para diminuir os impactos da pandemia na vida das mulheres de uma maneira geral. De forma individual, o que nós temos feito para aliviar a sobrecarga, seja ela física ou emocional à nossa volta? 

Assessoria de Comunicação

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