Cinco anos do golpe – é preciso um governo que volte a pensar no povo

Há cinco anos, um deputado condenado por corrupção – e presidindo a Câmara dos Deputados – articulou e aprovou a abertura de um processo de impeachment contra a primeira mulher eleita e reeleita à Presidência da República, Dilma Rousseff. Um golpe parlamentar e midiático, patrocinado por agentes do mercado financeiro internacional ávido nas riquezas que o Brasil ainda possui, sedento por nossas estatais e obcecado em conseguir mão de obra fácil de ser explorada.

Naquele 31 de agosto, todos que rogaram unicamente pela (própria) família, estavam também condenando milhares de outras famílias à fome, ao desemprego e ao vírus. Dilma deixou o Planalto, apesar de nunca ter cometido crime de responsabilidade, de nunca ter se apropriado de nenhum bem público e muito menos fez vista grossa para malfeitos, inclusive de aliados. Tentaram desmoralizá-la de todas as formas, usaram sua imagem de forma misógina e violenta, mas ela permaneceu firme. 

É possível gastar horas e horas elencando argumentos, mas para não fugir do objeto de acusação que usaram para golpear a democracia em 2016, recorro a um fato recente. Em 27 de junho, uma perícia feita por técnicos do Senado, solicitada pela defesa da então presidenta, não identificou nenhuma ação direta de Dilma nas chamadas “pedaladas fiscais”. Até então, as pedaladas nunca tinham sido apontadas como roubo. Pelo contrário, era vista como um procedimento administrativo já feito por praticamente todos os ex-presidentes. Mas para derrubar Dilma virou crime. Alguém ainda tem dúvidas de que foi golpe? 

Para impor seus interesses, as forças políticas que tomaram o poder em 2016, precisaram interromper os projetos em andamento dos governos do PT, que tinham elevado dezenas de milhões de pessoas pobres à condição de cidadãos, com direitos e com acesso a serviços públicos, ao trabalho formal, à renda, à educação para os filhos, a médico, casa própria e remédios.

Para oferecer o Brasil de bandeja a grupos econômicos internacionais era preciso interromper programas sociais classificados, por eles, como “meros gastos, gastos e mais gastos”. Era preciso barrar programas estratégicos para a defesa da soberania e para o desenvolvimento nacional, projetos que colocaram o Brasil entre as seis nações mais ricas do mundo e retiraram o país do vergonhoso mapa da fome da ONU. 

Em 2020, a pandemia do novo coronavírus não poderia encontrar pior cenário para brasileiras e brasileiros. A negação da pandemia e a falta de respeito às medidas sanitárias foram determinantes para que ocorresse um verdadeiro genocídio. Já somamos quase 580 mil mortes em decorrência da doença. Boa parte poderia ter sido evitada se não fosse a negligência do governo quanto à aquisição da vacina. 

Vale lembrar que o congelamento de investimentos em políticas públicas, aprovado no Governo Temer e mantido por Bolsonaro, agravaram as desigualdades. O teto de gastos retirou, só em 2019, R$ 21 bilhões do SUS. Dinheiro que poderia ajudar a enfrentar gargalos da saúde pública e, também, a garantir o repasse aos municípios fortalecendo equipes do programa Saúde na Família, por exemplo.

A arrecadação do governo aumentou com o teto de gastos, mas não houve aumento compatível no orçamento da Saúde e nem haverá. Pois é esse o interesse dos que tomaram o poder.

Hoje, o governo Bolsonaro continua se apoiando na grande mentira que fundamentou o golpe: a de que o Brasil foi quebrado pelos governos do PT. Mentira que ainda hoje ganha eco e é maliciosamente usada para justificar uma recuperação que nunca aconteceu.

E não acontecerá. Não com este governo. O Brasil só vai se recuperar da crise pelas mãos do povo. Só vamos ter recuperação econômica e social quando o trabalhador tiver oportunidade. Lula já cantou essa pedra lá atrás: a partir do momento em que trabalhadores, do campo e da cidade, tiverem uma oportunidade digna para trabalhar, as coisas começam a melhorar. 

É tendo emprego e renda que o cidadão come, paga suas contas e movimenta a economia, fazendo com que mais empregos sejam gerados e cada vez mais e mais pessoas tenham oportunidades. Mas para isso é preciso um governo que volte a pensar no povo, no bem estar de milhões de cidadãos e cidadãs. Um governo que defenda a vida! E não um governo genocida, que defenda o lucro exorbitante de quem já tem muito, um governo intolerante, um governo de morte. 

Fora Bolsonaro!

Dr. Jean Freire

Deputado estadual e médico

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